Thursday, April 19, 2012

O Adeus de Levon Helm

Morreu nesta quinta-feira, 19, Levon Helm, baterista e vocalista da banda que acompanhou Bob Dylan em sua polêmica fase elétrica, e que fez uma respeitável carreira por conta própria sob o nada tímido nome de The Band.

Levon Helm lutava contra um câncer na garganta há anos, e apesar de um breve período de remissão quando pôde voltar a se apresentar ao lado de seus amigos Midnight Ramblers e lançar um par de marcantes álbuns ("Dirt Farmer" e "Electric Dirt"), o cantor faleceu no hospital Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, cercado por família e amigos.

Nascido em 26 de maio de 1940, no Arkansas, Levon Helm era o único americano em uma banda formada por canadenses, ex-integrantes de outra banda de apoio importante na cena rock local: os The Hawks, que acompanhavam Ronnie Hawkins - o próprio, outro nativo do Arkansas, apesar de ter estabelecido sua carreira mais ao norte, em Toronto.

Com a The Band, Levon Helm foi figura crucial na formação do som da banda, através de seu estilo peculiar de cantar e tocar bateria, e seus talentos de multiinstrumentista - que o registram ainda como gaitista, baixista, bandolinista e tocador de banjo. Os dois primeiros discos da banda, "Music from Big Pink" (1968) e "The Band" (1969) tornaram-se ícones no encontro do rock psicodélico com os sons mais tradicionais da música norte-americana como o Folk e a música Country.

Levon Helm também acompanhou Ringo Starr na formação original de sua All-Starr Band, e atuou em mais de uma dezena de filmes após a separação da The Band. O músico deixa mulher, filha e neto.

 Assista abaixo alguns dos grandes momentos na carreira de Levon Helm.

"The Night They Drove Old Dixie Down", ao vivo no filme "The Last Waltz", o concerto de despedida da The Band sob a direção de Martin Scorsese

"Only Halfway Home", um curta-metragem inspirado e contendo músicas do álbum "Dirt Farmer", de Levon Helm


Com a All-Starr Band em uma performance de "The Weight", maior sucesso da The Band

Tuesday, April 10, 2012

É impossível não amar "Avenida Brasil"

Adoro novelas. Não curto as das 18h e 19h, mas não perco nenhuma das 21h. Houve um tempo em que achava tudo um grande pé no saco. Na época em que era casado, ficava p... da vida com minha mulher, que teimava em querer assisti-las no nosso quarto, na TV em que eu via meu futebol, meus seriados e jogava vídeo-game. Nunca permitia que ela sequer encostasse no controle e mandava-a sempre para sala, não sem antes lembrá-la que eu tinha comprado o aparelho e que por isso ele era meu, só meu. Nada que ela alegasse em seu favor fazia a menor diferença. Naquela TV, novelas eram terminantemente proibidas.

Foram dias em que andei meio amargo, sem muita paciência para um monte de coisas de que antes gostava pacas e que hoje, graças a Deus, voltei a gostar. Sinceramente, não sei o que me fazia ser aquele mala. Ainda bem que essa fase passou e cá estou eu, de volta a minha doce vida de noveleiro e admirador de outros tantos programas igualmente excepcionais, tais como Amaury Jr., "Superpop", e o do Lopes, o homem do vinho. Sem falar nos do eterno rei dos nossos domingos, o incomparável, genial e grisalho Sílvio Santos.

Mas voltemos a falar das novelas. Aliás, gostaria de falar de duas, especificamente: a que terminou há poucas semanas ("Fina Estampa") e a que entrou em seu lugar ("Avenida Brasil"). A primeira alcançou índices altíssimos de audiência; a segunda, entretanto, é que vem despertando a atenção e também a curiosidade de muita gente, inclusive - e principalmente - dos que afirmam detestar novelas. E não é difícil compreender a razão.

"Fina Estampa", do ótimo Aguinaldo Silva, autor competente e hábil, até que era divertida. Com o desenrolar da trama, porém, ficou nítido que se sustentava muito sobre duas personagens: a vilã Tereza Cristina, vivida por Christiane Torloni, e seu "slave" Crodoaldo Valério, brilhantemente interpretado pelo Marcelo Serrado. As cenas entre os dois eram mesmo excelentes e não seria nenhum absurdo se a Globo resolvesse criar uma série para eles - acho até que deveria. Acontece que Crô cresceu ainda mais e se tornou A grande personagem. Serrado mandava tão bem, mas tão bem, que qualquer um que contracenava com ele crescia assustadoramente, por menos relevante que fosse o papel. Com isso, embora não tivesse praticamente nenhuma importância nas viradas que a novela tinha que dar, sua participação foi ficando cada vez maior. Era fantástico, mas não amarrava as histórias.


Aguinaldo é um desses autores que dançam conforme a música. Se o Ibope sobe quando Crô aparece, então tome mais Crô. Com isso, um monte de questões e mistérios que apareceram lá no começo foram sendo resolvidos "nas coxas" e várias pontas ficaram soltas, como, por exemplo, o casamento atribulado de Celeste (Dira Paes) e Baltazar (Alexandre Nero), que ninguém sabe no que deu; ou o enigmático amante do Crô, cuja não revelação foi justificada(?) com uma citação do próprio à caixa de Perpétua - ela guardava algo misterioso nessa caixa, que permaneceu irrevelado até o último capítulo -, personagem de Joana Fomm em Tieta, também do Aguinaldo; ou ainda o patético naufrágio de Tereza Cristina e Pereirinha (Zé Mayer), o qual, ao que parece, era o Netuno em pessoa. Aquela, aliás, foi a cereja no bolo do final de novela mais sem noção que me lembro de ter visto em toda a vida. A impressão que deu, foi a de que Aguinaldão se perdeu por completo na sua ânsia de dar ao público o que ele achava que o público queria e chutou o balde com vontade na reta final. Definitivamente, não terminou bem.

Saímos, então, de uma novela meio sem pé nem cabeça e entramos noutra que é uma verdadeira lição de como se deve contar uma boa história. João Emanuel Carneiro, diferentemente do Aguinaldo, parece ter a trama toda na mão e saber exatamente o que fazer com ela até o seu fim. É tão bem feita, que em duas semanas não houve sequer um capítulo mais ou menos. Todos variaram entre o muito bom e o excelente. E a julgar pelo que se viu no de sábado, a terceira semana promete ser tão intensa quanto foram as duas anteriores.

"Avenida Brasil" é um show de direção, roteiro, fotografia, trilha - uma novela que reúne "Kuduro", Aviões do Forró, Zeca, Dylan e ainda redescobre Zé Augusto tem mesmo pouquíssimas chances de não vingar - e conta ainda com atuações soberbas de praticamente todos os atores. Se for assim até o final, tem tudo para ser uma das maiores de todos os tempos e a melhor dos últimos 15 anos, pelo menos. Ela tem humor, suspense, drama e pieguice na medida exata. Até aqui, é uma novela completa, dessas que fazem a gente ficar ansioso pelo capítulo seguinte, marcar compromissos em função do seu horário e até sonhar que se está nela. Comigo já aconteceu. Foi naquele dia em que Ritinha (Mel Maia) foi deixada no lixão pelo Max (Marcelo Novaes). Acordei bastante tenso. Tenho uma filha quase da mesma idade e acho que isso influenciou um bocado. Enfim, é um novelaço, que te prende e não permite que se fique indiferente a ela. Fazia tempo que não aparecia algo assim na teledramaturgia nacional.

Quando este texto for publicado, já saberemos se Rita/Nina (Débora Falabella) finalmente reencontrou-se com Batata/Jorginho (Cauã Reymond), se Suelen (Ísis Valverde) terá usado outra daquelas suas roupas que enlouquecem até defunto e se Cadinho (Alexandre Borges) continua dando conta de suas três mulheres. Mas mesmo que tudo isso já tenha acontecido, a gente pode ficar sossegado, porque a trama de João Emanuel Carneiro não vai deixar a peteca cair. Do jeito que a coisa anda, tenho certeza de que "Avenida Brasil" ainda reserva surpresas que vão deixar todos de queixo no chão. É só acompanhar, conferir e se deliciar